Artigos › 10/12/2018

Quanto dar? O verdadeiro apoio

Não é fácil achar o equilíbrio quando se trata de apoiar uma pessoa em situação de vulnerabilidade.

Cuidado com frases como: “Tudo é válido para salvar uma vida”, “Não custa nada para mim, porque não poderia dar tudo o que essa mulher precisa? Coitada não tem ninguém”

Até que ponto eu devo apoiar? Estou dando tudo o que eu poderia? Estou dando mais do que a pessoa precisa? Como estabelecer o limite? É muito difícil apoiar na quantidade justa e necessária em cada caso mas, no seguinte trecho podemos encontrar algumas orientações sobre qual a ajuda que anula e qual o apoio que potencializa uma pessoa e promove o desenvolvimento de suas potencialidades e o fortalecimento de vínculos familiares para superar o conflito.

Ajudar ou apoiar?

Qual a diferença entre ajudar e apoiar? Significam a mesma coisa? Não. Poderia se dizer que são opostas. Uma anula a outra potencializa.

Ajuda que anula: Dar tudo a uma pessoa que precisa ajuda pode provocar um dano muito grande. Oferecer o que você acha que ela necessita, fazer ela evitar o esforço e o trabalho de pensar propostas para enfrentar os problemas com recursos próprios, anula. Isso faz ela pensar que outras pessoas são responsáveis por solucionar seus problemas, e que não será ela quem enfrente suas próprias dificuldades. Faz com que ela não pense, não reflita, não seja protagonista. Isso realmente anula e cria dependência.

É frequente ver pessoas eternamente carentes que recebem ajuda e permanecem reclamando e descontentes na mesma situação. Algumas se acostumam a receber tudo sem esforço e acabam assumindo uma posição de vítima que somente sabe receber, reclamar e exigir. Ela pode sentir que todas as pessoas ao redor são responsáveis de fazer com que ela viva bem, e se essa ajuda não chegar, culpar aos outros da sua própria desgraça.

Aquelas “ajudas” que por “ajudar” oferecem tudo, acabam fazendo com que essa pessoa seja a mais pobre das pobres: carecer de iniciativa, desaproveitar os talentos, as potencialidades, as capacidades, a criatividade e recursos com que Deus dotou a cada ser humano. É muito difícil para quem está acostumado a receber tudo de graça, que algum dia queira conseguir as coisas com esforço. Viram dependentes do sistema ou de um superior “bondoso”.

Existem governos, ONGs e pessoas, que oferecem “ajudas que anulam”. Podem até achar que estão fazendo bonito mas, na verdade, estão utilizando uma arma muito útil para anular pessoas: dar tudo o que ela precisa de maneira rápida e sem exigir nenhum esforço para consegui-lo.

Atitudes para evitar isto? Deixe ela identificar e manifestar do que ela precisa. Faça perguntas abertas para ela achar a solução. Deixe a pessoa pensar, propor, inventar e ativar ferramentas internas para superar os conflitos. Deixe ela se sentir protagonista da sua própria vida. Mas para isto, é necessário que haja um verdadeiro objetivo desinteressado no trabalho realizado.

Perigoso círculo vicioso: as vezes acontece um pacto inconsciente entre quem ajuda e quem é ajudado. Quem ajuda pode ter se sentido muito tocado no coração, pode ver a pessoa em problemas como uma coitada e pode até sentir vontade de dar tudo (o que pode e o que não pode) para ajudá-la achando que está certo. Isto, no fundo do inconsciente, pode gerar um sentimento escondido e satisfatório de superioridade. A outra pessoa, que recebe benefícios por ser uma coitada, pode assumir inconscientemente o papel de eterna vítima para continuar conseguindo benefícios. Um superior precisa de um outro inferior para se sentir necessitado e um inferior precisa de um outro superior para continuar recebendo benefícios sem grandes esforços. Isto é inconsciente. Assim, uma para se sentir bem e a outra para receber benefícios, o vínculo nunca se supera mas passa a ser um círculo vicioso que se alimenta.

Ela é doente? Sozinha no mundo? Incapaz? Você realmente quer o bem para ela? Então não ajude, apoie.

Apoio que potencializa.

Muito diferente pode ser uma caridade por tempo claramente definido por se tratar de uma ajuda extremamente necessária em um momento especial e bem determinado. A verdadeira “ajuda” é se interessar pelo outro e apoiá-lo. Para isso precisamos fazer de “espelho” para que a própria pessoa possa identificar onde estão os problemas, e não ficarmos nós dizendo tudo o que ela deve mudar e fazer. Podem ser feitas sugestões de propostas desde que a pessoa tenha tido oportunidade de refletir e de pensar alternativas próprias para melhorar a situação. “Qual você acha que é o principal problema?”, “Qual a solução concreta?”, “O que poderia ser mudado para que não se repita?”, “Que familiares poderiam te apoiar?”, “O que você poderia fazer com..?” Cuidado pois é comum do ser humano pensar alternativas para fugir dos problemas, para achar uma via rápida mas nem sempre a mais segura ou melhor pensando a longo prazo. Vamos convidar sempre para que pense alternativas realistas que melhorem sua vida de maneira integral pensando no presente e no futuro mesmo que isso demande tempo, paciência e esforço.

Podemos oferecer apoios disponíveis e fazer sugestões na medida que ela expresse a necessidade. É muito comum que em caso de uma gestante em crise, o orientador que atende queira oferecer no início, cesta básica, moradia, médicos, etc. Mas temos que deixar com que ela seja protagonista da sua própria vida. Talvez não precise de cesta, talvez ela tenha já um médico que conhece sua família, talvez morar com algum parente seja melhor. Caso a pessoa não perceber uma necessidade que para você é básica, pergunte se ela acha que seria bom receber tal coisa por um tempo determinado? (indique sempre que será por um tempo até ela poder assumir por completo a situação).

É fundamenta demonstrar com propostas e atitudes que você acredita que a pessoa pode assumir própria vida. As vezes a pessoa nunca teve exemplo da família ou não acredita que possa ser independente e se realizar em um trabalho porque ninguém acreditou nela antes.

Quanto tempo dedicar?

Organize e estabeleça horários determinados e o tempo que vai dedicar para este trabalho (diário, semanal ou mensal), avise se não puder cumprir, teste um mês para ver se consegue equilibrar com sua vida e seus compromissos pessoais. Isso ajudará a você se organizar equilibradamente e a não dedicar tempo de mais nem de menos.

Seja um/a semeador/a, faça sua parte mas não tente fazer a parte dos outros colegas ou a parte que corresponde a Deus.

Durma tranquila/o, Deus sabe a intenção do seu coração e seus limites humanos!

Reze pelas pessoas que está apoiando, tem coisas que só Deus consegue mudar.

Entregue seus pães e peixes, Ele fará os milagres!

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